Em memória de António Luís Pina

António Luís Pina

02 de Agosto de 1920 - 08 de Junho de 2022

Idade: 101 Anos
Naturalidade: Loriga, Seia, Guarda
Pai: Abílio Luís de Pina
Mãe: Eduarda Duarte Pereira
Residência: Faro
Velório: 14 de Junho de 2022 a partir das 09:30 em Igreja de Soledade
Celebração: 14 de Junho de 2022 pelas 10:00
Funeral: 14 de Junho de 2022 após as celebrações
Cemitério: Crematório de Faro (Faro)
Observações: Para evitar a propagação da Covid-19 e garantir a segurança de todos, a família agradece que todas as manifestações de pesar a si direcionadas sejam dadas através de canais seguros (na página do Facebook e no site da Agência Funerária Correia, por meio de SMS, email pessoal…)

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António Luís Pina

02 de Agosto de 1920 - 08 de Junho de 2022

Idade: 101 Anos
Naturalidade: Loriga, Seia, Guarda
Pai: Abílio Luís de Pina
Mãe: Eduarda Duarte Pereira
Residência: Faro
Velório: 14 de Junho de 2022 a partir das 09:30 em Igreja de Soledade
Celebração: 14 de Junho de 2022 pelas 10:00
Funeral: 14 de Junho de 2022 após as celebrações
Cemitério: Crematório de Faro (Faro)
Observações: Para evitar a propagação da Covid-19 e garantir a segurança de todos, a família agradece que todas as manifestações de pesar a si direcionadas sejam dadas através de canais seguros (na página do Facebook e no site da Agência Funerária Correia, por meio de SMS, email pessoal…)

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  1. Agradecemos termos tido na família uma pessoa com tanto valor pela ascensão que teve na carreira, mas sobretudo por nunca ter esquecido ninguém na sua subida. Teve sempre palavras gentis e apaziguadoras. Acreditamos que foi para um lugar especial, onde esperamos um dia voltar a encontrá-lo. Entretanto viverá dentro de nós onde o recordaremos com muito carinho.
    Os nossos pêsames a todos

  2. Descanse em Paz Senhor António Pina!

  3. Artigo escrito por João Pina e publicado Jornal “Garganta de Loriga” de setembro/outubro de 2011, em homenagem ao avô quando este fez 91 anos. Reproduzimos o texto de novo agora que faleceu, aos 101 anos:
    PARA O MEU AVÔ ANTÓNIO LUÍS DE PINA
    Dou por mim olhando para um papel em branco e um lápis afiado sobre este. Em pensamentos destaco a beleza de Loriga e sem esforço esqueço o pouco de mal que esta Vila tem. Momentos depois deparo-me com a realidade, pego no lápis e começo a escrever.
    Era difícil descrevê-la sem falar dos seus habitantes que tanto a caracterizam, mas pessoalmente era impossível falar de Loriga sem falar do meu avô.
    Ao nascer, encontrava-se ainda Loriga num dos seus auges de população. Numa realidade em que automóveis eram um sonho, acompanhava a sua avó até várias localidades nas proximidades, incluindo a Covilhã, despertando muito antes dos primeiros raios do Sol para chegar lá a pé, pouco depois do primeiro cantar do galo.
    Vagueava por Loriga desvendando cada rua, cada canto, cada pormenor, brincando sempre que podia nos lugares mais secretos ou mais arriscados, com tudo aquilo que poderia de alguma forma servir de brinquedo. Era talvez impossível descrevê-lo como infeliz, apesar das dificuldades tanto económicas como familiares, já que seu pai que nunca conhecera, imigrara para a Argentina.
    Era tão-só um rapaz rebelde e curioso, esforçado e interessado pela sua Vila, e sobretudo inteligente, sendo considerado o melhor aluno pela sua professora Alice.
    Concluíra o ensino básico em Loriga e aos 13 anos de idade, muda-se para Coimbra sozinho e sem nada, para trabalhar. Daqui é transferido para a Figueira da Foz para trabalhar numa loja temporária durante o verão.
    O único pagamento era a dormida e a comida. Era insuficiente, sendo maltratado até ser despedido de forma injusta. O Patrão, com intenções de o despedir no final da época balnear por não precisar mais dele, alegou mentirosamente que o miúdo tinha partido um boneco, o que não era verdade.
    Como era ainda uma criança de 13 anos, o Patrão trá-lo de volta para Coimbra e deixa-o apenas com dinheiro do bilhete para o regresso a Loriga. Para evitar esta humilhação de regressar tal como partiu, ele resolve permanecer em Coimbra e consegue alguma misericórdia e ajuda da Padaria Palmeira. Vai fazendo trabalhos mínimos como padeiro, atividade para a qual tinha minguado talento, em troco de lugar para dormir. Ao mesmo tempo procura empregar-se noutro local, acabando a trabalhar na livraria do Café Montanha.
    Teve então vários outros trabalhos, como no Centro Republicano António José Almeida, onde os seus esforços baseavam se em tarefas simples, como controlar e receber o dinheiro do bilhar, e como escriturário de um conhecido advogado de Coimbra.
    Mas estas funções continuavam a ser menores para um rapaz que intelectualmente aspirava a muito mais. Foi então que viu um anúncio no Diário de Coimbra, para substituir durante um mês um boletineiro nos Correios. Para entrar no concurso precisava apenas de comprar um requerimento (25 tostões), preenchê-lo e seguidamente entregá-lo. Foi o que fez tendo sido admitido para o cargo mais baixo dos quadros dos CTT.
    Trabalhava bastante para o pouco que recebia, e, após ganhar consciência de que conseguia mais, fez um teste e subiu para contínuo, mudando-se assim para Lisboa com os seus 17 anos. Continuou a subir no quadro até sair o decreto-lei 29-221, uma reforma geral que estabeleceu um novo quadro e um limite de vagas, que graças a algumas injustiças e ao facto de este ter entrado tarde no lugar que ocupava, fez com que tivesse que aceitar uma proposta para um cargo inferior, ou então teria que procurar outro emprego. Desceu assim de cargo apesar de ganhar um pouco mais.
    Apesar de tudo foi progredindo na carreira e tornou-se muito conhecido nos Correios por organizar explicações para a progressão dos funcionários, que reconhecidamente tinham muito sucesso. Casou-se em 1961 e teve 3 filhos em Lisboa.
    Na década de 1970, apesar de se sentir bem nas suas tarefas, foi-lhe oferecido um cargo na Imprensa Nacional – Casa Da Moeda, onde auferia de muito melhor salário (cerca do dobro) e melhores condições, tendo sido por isso irrecusável. Este fora o seu último emprego, acabando numa posição elevada (chefe de divisão do aprovisionamento). O reconhecimento da qualidade do seu trabalho motivou que após a reforma, fosse convidado a continuar a trabalhar por mais 2 anos, recebendo o dobro do salário.
    Tudo isto foi apenas uma parte da sua vida esforçada, começando em baixo e acabando em cima. Demonstra, claro, um pouco das imensas qualidades do meu avô, que acabou por tirar um curso superior nos seus 70 anos (curso de psicologia no ISPA), e que com 90 anos ainda tinha aulas de inglês, tentando sempre perceber a lógica de um computador, onde escrevia os seus textos para enviar ao jornal da sua terra. Alguém que apesar das suas dificuldades conseguiu, sem dúvida alguma, atingir o sucesso, ultrapassando em muitos sentidos.
    Apesar de tudo, em nenhum momento esqueceu a Vila que o viu nascer e onde mais tarde construiu casa, ansiando voltar lá todos os anos para a recordar, espantar-se com a imensidão da Serra, ouvindo a água passeando Loriga.
    Parabéns, Avô, pelos 91 anos de vida

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  1. Agradecemos termos tido na família uma pessoa com tanto valor pela ascensão que teve na carreira, mas sobretudo por nunca ter esquecido ninguém na sua subida. Teve sempre palavras gentis e apaziguadoras. Acreditamos que foi para um lugar especial, onde esperamos um dia voltar a encontrá-lo. Entretanto viverá dentro de nós onde o recordaremos com muito carinho.
    Os nossos pêsames a todos

  2. Descanse em Paz Senhor António Pina!

  3. Artigo escrito por João Pina e publicado Jornal “Garganta de Loriga” de setembro/outubro de 2011, em homenagem ao avô quando este fez 91 anos. Reproduzimos o texto de novo agora que faleceu, aos 101 anos:
    PARA O MEU AVÔ ANTÓNIO LUÍS DE PINA
    Dou por mim olhando para um papel em branco e um lápis afiado sobre este. Em pensamentos destaco a beleza de Loriga e sem esforço esqueço o pouco de mal que esta Vila tem. Momentos depois deparo-me com a realidade, pego no lápis e começo a escrever.
    Era difícil descrevê-la sem falar dos seus habitantes que tanto a caracterizam, mas pessoalmente era impossível falar de Loriga sem falar do meu avô.
    Ao nascer, encontrava-se ainda Loriga num dos seus auges de população. Numa realidade em que automóveis eram um sonho, acompanhava a sua avó até várias localidades nas proximidades, incluindo a Covilhã, despertando muito antes dos primeiros raios do Sol para chegar lá a pé, pouco depois do primeiro cantar do galo.
    Vagueava por Loriga desvendando cada rua, cada canto, cada pormenor, brincando sempre que podia nos lugares mais secretos ou mais arriscados, com tudo aquilo que poderia de alguma forma servir de brinquedo. Era talvez impossível descrevê-lo como infeliz, apesar das dificuldades tanto económicas como familiares, já que seu pai que nunca conhecera, imigrara para a Argentina.
    Era tão-só um rapaz rebelde e curioso, esforçado e interessado pela sua Vila, e sobretudo inteligente, sendo considerado o melhor aluno pela sua professora Alice.
    Concluíra o ensino básico em Loriga e aos 13 anos de idade, muda-se para Coimbra sozinho e sem nada, para trabalhar. Daqui é transferido para a Figueira da Foz para trabalhar numa loja temporária durante o verão.
    O único pagamento era a dormida e a comida. Era insuficiente, sendo maltratado até ser despedido de forma injusta. O Patrão, com intenções de o despedir no final da época balnear por não precisar mais dele, alegou mentirosamente que o miúdo tinha partido um boneco, o que não era verdade.
    Como era ainda uma criança de 13 anos, o Patrão trá-lo de volta para Coimbra e deixa-o apenas com dinheiro do bilhete para o regresso a Loriga. Para evitar esta humilhação de regressar tal como partiu, ele resolve permanecer em Coimbra e consegue alguma misericórdia e ajuda da Padaria Palmeira. Vai fazendo trabalhos mínimos como padeiro, atividade para a qual tinha minguado talento, em troco de lugar para dormir. Ao mesmo tempo procura empregar-se noutro local, acabando a trabalhar na livraria do Café Montanha.
    Teve então vários outros trabalhos, como no Centro Republicano António José Almeida, onde os seus esforços baseavam se em tarefas simples, como controlar e receber o dinheiro do bilhar, e como escriturário de um conhecido advogado de Coimbra.
    Mas estas funções continuavam a ser menores para um rapaz que intelectualmente aspirava a muito mais. Foi então que viu um anúncio no Diário de Coimbra, para substituir durante um mês um boletineiro nos Correios. Para entrar no concurso precisava apenas de comprar um requerimento (25 tostões), preenchê-lo e seguidamente entregá-lo. Foi o que fez tendo sido admitido para o cargo mais baixo dos quadros dos CTT.
    Trabalhava bastante para o pouco que recebia, e, após ganhar consciência de que conseguia mais, fez um teste e subiu para contínuo, mudando-se assim para Lisboa com os seus 17 anos. Continuou a subir no quadro até sair o decreto-lei 29-221, uma reforma geral que estabeleceu um novo quadro e um limite de vagas, que graças a algumas injustiças e ao facto de este ter entrado tarde no lugar que ocupava, fez com que tivesse que aceitar uma proposta para um cargo inferior, ou então teria que procurar outro emprego. Desceu assim de cargo apesar de ganhar um pouco mais.
    Apesar de tudo foi progredindo na carreira e tornou-se muito conhecido nos Correios por organizar explicações para a progressão dos funcionários, que reconhecidamente tinham muito sucesso. Casou-se em 1961 e teve 3 filhos em Lisboa.
    Na década de 1970, apesar de se sentir bem nas suas tarefas, foi-lhe oferecido um cargo na Imprensa Nacional – Casa Da Moeda, onde auferia de muito melhor salário (cerca do dobro) e melhores condições, tendo sido por isso irrecusável. Este fora o seu último emprego, acabando numa posição elevada (chefe de divisão do aprovisionamento). O reconhecimento da qualidade do seu trabalho motivou que após a reforma, fosse convidado a continuar a trabalhar por mais 2 anos, recebendo o dobro do salário.
    Tudo isto foi apenas uma parte da sua vida esforçada, começando em baixo e acabando em cima. Demonstra, claro, um pouco das imensas qualidades do meu avô, que acabou por tirar um curso superior nos seus 70 anos (curso de psicologia no ISPA), e que com 90 anos ainda tinha aulas de inglês, tentando sempre perceber a lógica de um computador, onde escrevia os seus textos para enviar ao jornal da sua terra. Alguém que apesar das suas dificuldades conseguiu, sem dúvida alguma, atingir o sucesso, ultrapassando em muitos sentidos.
    Apesar de tudo, em nenhum momento esqueceu a Vila que o viu nascer e onde mais tarde construiu casa, ansiando voltar lá todos os anos para a recordar, espantar-se com a imensidão da Serra, ouvindo a água passeando Loriga.
    Parabéns, Avô, pelos 91 anos de vida

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    Os nossos pêsames a todos

  2. Descanse em Paz Senhor António Pina!

  3. Artigo escrito por João Pina e publicado Jornal “Garganta de Loriga” de setembro/outubro de 2011, em homenagem ao avô quando este fez 91 anos. Reproduzimos o texto de novo agora que faleceu, aos 101 anos:
    PARA O MEU AVÔ ANTÓNIO LUÍS DE PINA
    Dou por mim olhando para um papel em branco e um lápis afiado sobre este. Em pensamentos destaco a beleza de Loriga e sem esforço esqueço o pouco de mal que esta Vila tem. Momentos depois deparo-me com a realidade, pego no lápis e começo a escrever.
    Era difícil descrevê-la sem falar dos seus habitantes que tanto a caracterizam, mas pessoalmente era impossível falar de Loriga sem falar do meu avô.
    Ao nascer, encontrava-se ainda Loriga num dos seus auges de população. Numa realidade em que automóveis eram um sonho, acompanhava a sua avó até várias localidades nas proximidades, incluindo a Covilhã, despertando muito antes dos primeiros raios do Sol para chegar lá a pé, pouco depois do primeiro cantar do galo.
    Vagueava por Loriga desvendando cada rua, cada canto, cada pormenor, brincando sempre que podia nos lugares mais secretos ou mais arriscados, com tudo aquilo que poderia de alguma forma servir de brinquedo. Era talvez impossível descrevê-lo como infeliz, apesar das dificuldades tanto económicas como familiares, já que seu pai que nunca conhecera, imigrara para a Argentina.
    Era tão-só um rapaz rebelde e curioso, esforçado e interessado pela sua Vila, e sobretudo inteligente, sendo considerado o melhor aluno pela sua professora Alice.
    Concluíra o ensino básico em Loriga e aos 13 anos de idade, muda-se para Coimbra sozinho e sem nada, para trabalhar. Daqui é transferido para a Figueira da Foz para trabalhar numa loja temporária durante o verão.
    O único pagamento era a dormida e a comida. Era insuficiente, sendo maltratado até ser despedido de forma injusta. O Patrão, com intenções de o despedir no final da época balnear por não precisar mais dele, alegou mentirosamente que o miúdo tinha partido um boneco, o que não era verdade.
    Como era ainda uma criança de 13 anos, o Patrão trá-lo de volta para Coimbra e deixa-o apenas com dinheiro do bilhete para o regresso a Loriga. Para evitar esta humilhação de regressar tal como partiu, ele resolve permanecer em Coimbra e consegue alguma misericórdia e ajuda da Padaria Palmeira. Vai fazendo trabalhos mínimos como padeiro, atividade para a qual tinha minguado talento, em troco de lugar para dormir. Ao mesmo tempo procura empregar-se noutro local, acabando a trabalhar na livraria do Café Montanha.
    Teve então vários outros trabalhos, como no Centro Republicano António José Almeida, onde os seus esforços baseavam se em tarefas simples, como controlar e receber o dinheiro do bilhar, e como escriturário de um conhecido advogado de Coimbra.
    Mas estas funções continuavam a ser menores para um rapaz que intelectualmente aspirava a muito mais. Foi então que viu um anúncio no Diário de Coimbra, para substituir durante um mês um boletineiro nos Correios. Para entrar no concurso precisava apenas de comprar um requerimento (25 tostões), preenchê-lo e seguidamente entregá-lo. Foi o que fez tendo sido admitido para o cargo mais baixo dos quadros dos CTT.
    Trabalhava bastante para o pouco que recebia, e, após ganhar consciência de que conseguia mais, fez um teste e subiu para contínuo, mudando-se assim para Lisboa com os seus 17 anos. Continuou a subir no quadro até sair o decreto-lei 29-221, uma reforma geral que estabeleceu um novo quadro e um limite de vagas, que graças a algumas injustiças e ao facto de este ter entrado tarde no lugar que ocupava, fez com que tivesse que aceitar uma proposta para um cargo inferior, ou então teria que procurar outro emprego. Desceu assim de cargo apesar de ganhar um pouco mais.
    Apesar de tudo foi progredindo na carreira e tornou-se muito conhecido nos Correios por organizar explicações para a progressão dos funcionários, que reconhecidamente tinham muito sucesso. Casou-se em 1961 e teve 3 filhos em Lisboa.
    Na década de 1970, apesar de se sentir bem nas suas tarefas, foi-lhe oferecido um cargo na Imprensa Nacional – Casa Da Moeda, onde auferia de muito melhor salário (cerca do dobro) e melhores condições, tendo sido por isso irrecusável. Este fora o seu último emprego, acabando numa posição elevada (chefe de divisão do aprovisionamento). O reconhecimento da qualidade do seu trabalho motivou que após a reforma, fosse convidado a continuar a trabalhar por mais 2 anos, recebendo o dobro do salário.
    Tudo isto foi apenas uma parte da sua vida esforçada, começando em baixo e acabando em cima. Demonstra, claro, um pouco das imensas qualidades do meu avô, que acabou por tirar um curso superior nos seus 70 anos (curso de psicologia no ISPA), e que com 90 anos ainda tinha aulas de inglês, tentando sempre perceber a lógica de um computador, onde escrevia os seus textos para enviar ao jornal da sua terra. Alguém que apesar das suas dificuldades conseguiu, sem dúvida alguma, atingir o sucesso, ultrapassando em muitos sentidos.
    Apesar de tudo, em nenhum momento esqueceu a Vila que o viu nascer e onde mais tarde construiu casa, ansiando voltar lá todos os anos para a recordar, espantar-se com a imensidão da Serra, ouvindo a água passeando Loriga.
    Parabéns, Avô, pelos 91 anos de vida

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